Mulheres voltam a fugir de TI

INFO Professional foi atrás de universidades, estudantes e profissionais de TI mulheres para explicar (ou pelo menos tentar explicar…) os motivos que levaram o setor a ser estigmatizado como terra dos homens

O número de mulheres que optam por uma graduação em cursos ligados à área de TI está cada vez menor. Uma pesquisa realizada pela Computing Research Association mostrou que, nos Estados Unidos e Canadá, apenas 12% dos formandos em cursos como engenharia e ciência da computação eram do sexo feminino. E no Brasil não é diferente. INFO Professional foi atrás das universidades, estudantes e profissionais de TI mulheres para explicar (ou pelo menos tentar explicar…) os motivos que levaram o setor a ser estigmatizado como terra dos homens.

Um dos casos emblemáticos brasileiros é a Unicamp. Nos últimos anos, o número de mulheres que freqüentam os cursos de TI da universidade estadual teve uma queda substancial. “Quando comecei a dar aulas, há quinze anos, a divisão entre homens e mulheres na sala era de praticamente 50%. Hoje, numa turma de 60 pessoas, apenas cinco são do sexo feminino. E esse quadro se repete em outros cursos da área”, afirma Ricardo Anido, professor responsável pelo Instituto de Computação da Unicamp.

Anido acredita que a aproximação dos cursos de TI à engenharia – área tipicamente masculina – foi um dos motivos que levaram as mulheres a deixarem a faculdade de tecnologia. Nos primeiros anos da Unicamp, o professor lembra que as áreas de ciência da computação e processamento de dados eram mais separadas da engenharia. O estigma de profissão de homens veio junto do surgimento de formações como engenharia da computação, engenharia de software etc. “Empresas como a IBM nos ligam pedindo que a gente se esforce para atrair mais mulheres para a faculdade, porque há falta de mulheres trabalhando em TI”, diz o professor.

Em outras faculdades, a realidade é parecida. No Mackenzie, por exemplo, a sala do quinto semestre de sistema da informação tem cinco mulheres em 60 alunos. Na universidade Radial, a sala do segundo ano de análise de sistemas tem três mulheres em 50 alunos. O curso de engenharia da computação da Mauá conta com apenas com cinco mulheres em 60 estudantes. A média de alunas não chega a 10%.

Com a palavra, as mulheres
E não dá para separar as faculdades do mercado de trabalho, já que é lá que as jovens vão buscar informações com quem já está na ativa. Carolina Bozza se formou em ciência da computação na Unesp de São José do Rio Preto em 2005. Desde então, focou-se na área de segurança e acredita que o que afasta as mulheres de cursos de TI é a irregularidade da profissão.

“É mais difícil para a mulher varar noites em clientes ou ficar em condições muitas vezes precárias em clientes no interior do país”, afirma. Do lado das empresas, Carolina acredita que muitas acabam não contratando mulheres em vias de se casar ou de ter filho, porque são fatores que as impediriam de suportar altas cargas de trabalho.

Carolina afirma, inclusive, em ter sofrido preconceito de fazer parte da minoria na pele. “Durante a implementação de um projeto em um cliente, senti que ele estava meio inseguro em relação as minhas considerações. Havia uma revenda no meio do processo e eles me pediram desculpas, mas disseram que ele tinha pedido para que o analista fosse trocado”, diz Carolina.

Em 1996, quando se formou em processamento de dados no Mackenzie, 30% dos colegas de Raquel Porto eram mulheres. Ela já passou por grandes empresas brasileiras e hoje é uma das duas mulheres que compõe uma equipe de 10 na área de segurança da informação da multinacional de tecnologia que trabalha. “Acho que é uma profissão que exige muito trabalho fora do horário. É um perfil mais mais voltado para homem”, afirma Raquel.

Questão cultural
A opinião da estudante de engenharia da computação, Karina Matos, que trabalha na área de suporte técnico corporativo da Microsoft, tem uma outra teoria. Para ela, é mais uma questão cultural do que alguma dificuldade física imposta pela profissão. “É mais a familiaridade com a área de exatas. Se você vai num cursinho pré-vestibular, o número de mulheres na sala de exatas é bem menor do que em humanas e biológicas”, afirma Karina.

Karina viu de perto essa retração. Quando cursou colegial técnico em processamento de dados, há dez anos, havia até mais mulheres do que homens em sua sala. Hoje, no entanto, em sua turma da faculdade de engenharia, há apenas duas alunas num total de 30 alunos homens. Em sua área, na Microsoft, seis dos 17 profissionais são do sexo feminino.

Fonte: info on line

:: LUCIANA COSTA ::

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