Começando a desenvolver para a web à partir do usuário e não da máquina

O caminho mais comum e a primeira trilha percorrida por quem quer trabalhar com web design é aprender “como fazer” as coisas tecnicamente falando. Obviamente isso é muito importante mas é apenas um lado da moeda de um bom profissional. A preocupação do programador ou do web designer no geral acaba sendo apenas se o trabalho dele não está “dando pau”, se o site está renderizando corretamente e se o browser está interpretando tudo exatamente da forma como ele planejou. Ou seja, se a “máquina” ficou “feliz”, está tudo ok ! O objetivo de um web designer não é criar coisas bonitas e que funcionem bem no HTML e CSS, e sim criar ambientes agradáveis e fáceis de usar. Achou confuso?Vamos ver mais sobre isso.

Como as coisas geralmente são

O processo mais comum da formação de um web designer até sua profissionalização está focado na “máquina” e em como ser o melhor amigo dela. Como fazer as coisas funcionar para as máquinas, como fazer o browser (que é uma máquina) fazer aquilo que você quer que ele faça, e como fazer o validador (máquina) da W3C validar o seu código de HTML. O aspirante a web designer começa então a aprender a desenvolver sites à partir das ferramentas de desenvolvimento. Ele instala o DreamWeaver e o Flash, lê alguns tutoriais bacanas, aprende a configurar um site localmente utilizando o IIS até publicar seu primeiro trabalho quase todo gerado pela ferramenta. De máquina para máquina, com muito amor. Com o passar das semanas aprende a fazer alguns refinamentos, uns efeitos de Photoshop aqui e um banerzinho em flash ali e já até consegue sentir confiança suficiente para fazer o site do supermercado do tio gente boa. Alguém aí conhece essa história?

Com o passar do tempo, naturalmente ele acaba aprendendo a escrever HTML “na mão”, toma conhecimento dos padrões web (os famosos web standards) e fica todo empolgado com as maravilhas do CSS. Já se passaram 3 anos desde que começou a trabalhar como “web designer” e 2 desde que conseguiu seu primeiro emprego e o antigo “aspirante” hoje já tem uma boa experiência para contar. Nesse período então ele se depara com um termo que balança seus conceitos e tudo o que ele acreditava saber de web: “usabilidade”.

Como as coisas deveriam ser

O trecho acima narra o caminho natural de quem aprende sozinho, sem uma formação específica e não há do que se envergonhar. Pelo contrário, eu admiro muito mais os profissionais bem sucedidos hoje que aprenderam boa parte do que sabem e entraram neste fascinante mundo do desenvolvimento estudando sozinhos do que aqueles que só conseguem aprender algo se alguém lhes ensinar diretamente. Se pensarmos bem só agora o acesso a certas informações estão se popularizando e hoje você só não encontra bons textos falando sobre usabilidade em português se você não souber usar o Google. Até hoje eu não conheço ninguém que tenha se tornado desenvolvedor por que ficou fascinado com usabilidade. Se tiver alguém aqui lendo este texto que começou pela usabilidade, por favor, dê seu testemunho aqui! Mas eu acredito que com boas fontes na web e um pouco de tempo, será possível ter em alguns anos profissionais que aprenderam sozinhos a trabalhar com web, pensando primeiro no design como um processo de encontrar um equilíbrio entre forma e função antes mesmo de pensar em como o HTML vai ficar. Será que estou sonhando alto?

Criar sites para web deve trazer inato o pensamento de criar sites onde as pessoas vão utilizá-lo para buscar informações. No passado, há uns 10 anos atrás, as empresas queriam estar na “internet” simplesmente por estar, por status. Os sites das empresas se pareciam mais com “folders” do que com o que hoje conhecemos por “sites”, onde o usuário interage, procura informações, faz compras, deixa comentários etc. A preocupação de sites assim no passado era exclusivamente estética, não existia o que “usar”, porque tudo ali era apenas para “ver”. Hoje não temos mais este cenário, e design para web deve ser encarado como um processo de encontrar um equilíbrio entre a forma estética e função (usabilidade) e não mais com o foco apenas no “funciona e está bonito”. Demonstre essa preocupação no seu portifólio que a vaga é sua!

Como começar?

Eu entendo perfeitamente o que é começar a trabalhar com algo novo sem saber nada sobre aquilo. Pode ser desesperador. E se me permite, me deixe te dar alguns conselhos. Se quer ser um web designer promissor antes de mais nada, navegue muito na web, faça cadastro em comunidades, faça compras, tenha várias contas de e-mails de diferentes empresas como Gmail, Yahoo, HotMail etc, leia sobre web, procure por estatísticas e utilize qualquer serviço que encontrar pela frente. Observe em todos estes lugares o quão fácil de usar eles são, o quão organizados estes ambientes são e o quão belo eles são ou deixam de ser.

Estude um programa de edição de imagens como o Photoshop e aprenda a trabalhar com HTML e CSS e aprenda essas coisas em mais de uma ferramenta. Com o tempo você vai ver que, por mais que goste mais de um aplicativo do que outro, não é a ferramenta que faz a diferença, e sim seus conhecimentos de HTML e CSS. Aprenda o básico da web. E em tudo o que você for fazer, pense na usabilidade daquilo, em como as coisas estão organizadas etc.

Leia sobre design, cores, fotografia, tipologia. Aprenda a escrever decentemente se ainda não sabe. Enquanto você não adquire conhecimentos de métricas e marketing para obter suas próprias estatísticas, tente se basear no conhecimento de outros profissionais e nas estatísticas que eles fornecem.Leia sobre acessibilidade e SEO e em como deixar o código do seu site otimizado tanto para os mecanismos de buscas quanto para pessoas com necessidades especiais. Inicie uma cruzada pessoal para entender um conceito chamado “design centrado no usuário”. Depois que entender plenamente o que isso significa, você vai encarar o desenvolvimento para a web de uma forma completamente diferente.

Pense que a interface que você está criando é para pessoas e não para o validador da W3C. É melhor ter um site em que as pessoas conseguem facilmente encontrar as informações que procuram do que um site difícil de usar e semanticamente correto. Mas é melhor ainda ter as duas expertises. Parafraseando Jesus, você deve se perguntar: o HTML foi feito para os usuários ou os usuários foram feitos para o HTML? O design deve ser escravo do usuário ou o usuário é quem deve ser escravo daquele seu design lindo, feito todo em Flash e que poucos conseguem navegar? Se tivesse que sacrificar alguém, quem você escolheria? Se você prefere sacrificar o “usuário”, você ainda está longe de ser um desenvolvedor para a web.

Máquina a serviço dos usuários usuários

Em resumo, você não deve nunca e em nenhuma hipótese, deixar de entender como “as máquinas funcionam”, como fazer com que tudo funcione corretamente e que seu código fique perfeito. Estude web standards, metodologias de desenvolvimento, acessibilidade, SEO, microformats, javascript e tudo aquilo que te fará um expert tecnicamente. Isto é muito importante. Mas isso só faz sentido se você pensar que o resultado final será para o usuário e não para você mesmo ou para agradar seu browser preferido ou os mecanismos de buscas. Em nenhum momento eu quis colocar a expertise técnica como algo antagônico a usabilidade ou antagônico ao foco no usuário. Pelo contrário. Mas é você que não deve enxergar o desenvolvimento para web como algo independente do objetivo final, que é o seu cliente/usuário.

Por: Henrique Costa Pereira(revolucaoetc)

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